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domingo, 19 de agosto de 2007

E o que mudou?

Tinha algumas idéias sobre alguns assuntos para escrever, mas me deparei com esse texto e decidi compartilhar.

Da série: "Quero escrever sobre qualquer tema, sim. E daí?"

Talvez isso tenha acontecido com alguma das raras almas que visitam essa adega. Isso de querer escrever, mas não ter idéia sobre o quê. Não? Então eu devo ser mais louco do que penso. Acredito que vocês iriam fazer a mesma coisa com tantas vozes em sua cabeça, tantas personalidades ansiosas por serem interpretadas, escritas, vivenciadas.

A primeira coisa que vejo é o calendário. Hoje é dia dezesseis de agosto. Tudo bem que é mês do cachorro louco ou, para os que acreditam na lenda do número 23, é mês oito que significa dois elevado ao cubo, ou seja, 2³, mas ainda assim é um mês notável. Agosto de momentos históricos que chocaram as pessoas e as marcaram para sempre a ferro em brasa. Não, não falarei da Rosa de Hiroshima (Peguei o termo emprestado, ok, Vinícius?), mas sim de um momento da história moderna brasileira.

(Voz em off de Christopher Lee)

Ano de 1992...


"Eu conclamo a população a sair de casa vestida em verde e amarelo em protesto contra as intenções golpistas de determinados setores políticos e empresariais interessados em apear-me do poder". (Fernando Collor de Mello)

Muitas pessoas saíram às ruas, mas não de verde e amarelo. Foram de preto mesmo. Aquela multidão de jovens capitaneada pela UNE vociferando palavras de ordem, jorrando ao léu uma frase que, naquele instante, virou uma onomatopéia nacional: FORA COLLOR! FORA COLLOR!

Depois disso, Collor sofreu o impeachment (como eu falei quando era mais novo, impeachmado. Gosto muito de neologismos).

Hoje em dia, mais instruído e pé no chão, pergunto-me: O que mudou em 15 anos? Nada, absolutamente nada. Assim como no movimento de Diretas, onde a Rede Globo informou que se tratasse apenas da comemoração aos 430 anos da cidade de São Paulo, o movimento do Impeachment, dizem por aí, foi orquestrado pela própria emissora. Sendo isto verdade ou não, foi a última vez que vi um movimento político com a sociedade nas ruas. É até engraçado, pois a mesma Globo o pôs no poder em 1989.

Hoje a UNE é nada menos do que uma empresa que cria cartão de estudante para dar meia-entrada em espetáculos, cinema e afins; embora haja pessoas de boa índole que ainda se importam com movimentos sérios. A sociedade, eu a vejo como um bando de cordeiros pronto para o abate, sem vontade de criar, muito menos de desconstruir (eu disse desconstruir, não destruir). Os políticos... Bem, estes não mudam nem de nome.

O que mudou? Apenas eu. Assim como Saramago, considero que não há nada mais retrógrado do que a esquerda. Pensando melhor, retrógrado é esse desinteresse em mudar o que está errado, não importando que seja para uma situação de direita ou esquerda.

sábado, 18 de agosto de 2007

Cobrar ou não cobrar?

Não sei se vocês estão acompanhando o Parapan Rio 2007, na medida do possível estou acompanhando e sentindo uma enorme felicidade e orgulho dessas pessoas que mesmo com inúmeros motivos para entregarem-se ao bel prazer da sua sorte nos dão exemplos de força de vontade e vitória pessoal praticando esportes e participando de competições como o Parapan.

Mas apesar desse assunto ser interessantíssimo, ele não será o foco principal desse texto, muito provavelmente será o tema do próximo. Entretanto um assunto me chamou a atenção esses dias. Não sei se por excesso de auto-afirmação ou preconceito enrustido de uma parcela da população.

O fato que me chamou a atenção foi um e-mail enviado por uma leitora a um jornal carioca em que ela criticava a resolução do comitê organizador dos Jogos Parapanamericanos de não cobrar um valor financeiro para que os torcedores entrassem nos ambientes onde os jogos serão disputados, dizendo que isso é uma falta de respeito com os atletas e que essa renda poderia ser repassada a uma instituição que patrocinasse os atletas.

Quando acabei de ler o e-mail fiquei pensando no porquê das entradas serem gratuitas e, caso fosse cobrado algum valor financeiro pelo ingresso, de que forma esse valor seria útil aos atletas ou se iria fazer alguma diferença nas suas vidas e preparação para futuras disputas. Pensei um pouco e cheguei a uma conclusão: a de que esse montante não seria tão útil a esses homens e mulheres que tão brilhantemente lutam contra suas próprias dificuldades pessoais e nos mostram que mesmo com alguma deficiência é possível viver de forma digna e praticar esporte de forma competitiva quanto aquela leitora julgou que seria. Se a entrada para os jogos não fosse gratuita correr-se-ia o risco de termos as arenas esportivas esvaziadas ou com a presença de apenas parentes e amigos dos atletas, além de perder-se a chance de apresentar esses esportes e exemplos de vida a uma parte da sociedade que não teria chance de participar dessa festa da mesma forma que não pôde participar dos Jogos Panamericanos.

Crianças de escolas públicas estão indo assistir aos jogos, outros portadores de necessidades especiais estão tendo a chance de ver que pessoas com as mesmas dificuldades que eles estão vivendo e crianças também portadoras de necessidades especiais estão vendo que mesmo na situação que estão podem e devem permitirem-se sonhar com a possibilidade de um futuro melhor, quem sabe através do esporte. Talvez alguns poucos desses que citei acima pagassem um valor para assistir aos jogos, mas com certeza muitos dos que estão indo não teriam a mesma oportunidade de participar dessa festa esportiva e humanitária.

Por isso, respondendo a pergunta título, a melhor opção para esses jogos é a de não cobrar um valor financeiro para assistir aos Jogos Parapanamericanos e, felizmente, foi essa a resolução do comitê organizador.

Tonni Nascimento

sexta-feira, 17 de agosto de 2007

Eu quero casar com Jesus!


Eu quero casar com Jesus

Tudo começou com uma conversa entre eu e minha amiga. Estávamos falando que nenhum homem presta (aquelas coisas... falando mal da raça masculina!), que homem isso, homem aquilo... E aquela frase sai: Só Jesus presta. Eu tive que concordar e saí com essa frase: Eu quero casar com Jesus já que ele é o único homem que realmente presta. E eu comecei a pensar como seria um Jesus marido (e perfeito é claro!)

Primeiro, ele não iria mentir pra mim. Mentir é pecado. Então, só teríamos verdade entre nós. Um relacionamento maduro se baseia na cumplicidade e verdade entre os cônjuges, e Ele seria sempre verdadeiro. Ponto pra Jesus.

Não iria me trair. "Não cobiçarás a mulher do próximo". Ele nem cobiçaria, nem me trairia com outra! Só isso, eu já voto em Jesus. Primeiro, trair é um pecado; e para trair é necessário mentir e esse é um outro pecado. Por tanto, ele não me trairia porque estaria cometendo dois pecados ao mesmo tempo e Jesus não faria isso, já que é perfeito. Mais um ponto pra Jesus.

Ele sempre iria querer o meu bem "Fazer aos outros aquilo que gostaria que ele fizesse", sempre me trataria bem, nunca me magoaria, não me deixaria triste, não me deixaria sozinha, nem chorando; ele não faria isso com ninguém, muito menos comigo! Três pontos pra Jesus.

Não iria ficar jogando os meus erros na minha cara, isso seria humilhação demais. Nem Maria Madalena passou por humilhação pública, porque eu teria de passar?

Além disso tudo, ainda perdoaria meus erros! "Pai, perdoai-os porque não sabem o que fazem". Tudo resolvido! Vou casar com Jesus! Mil pontos pra ele!!!!!

Carlinha
(E me desculpem pela demora de postar... estava meio atarefada! Mas hoje eu consegui! Ufa!)

terça-feira, 14 de agosto de 2007

A próxima vítima

Mais uma vítima de bala achada estampa as páginas dos jornais: o engenheiro Aílton Lopes Moreira.

Hoje está sendo ele, mas amanhã pode ser eu ou até mesmo, você, querido leitor.

Nunca as páginas dos jornais cariocas estiveram tão democráticas: ricos e pobres; bonitos e feios; intelectuais e povão; todos, atualmente e a qualquer momento podem ter (embora ninguém queira) esses “quinze minutos de fama”, movidos pela trágica situação de violência que impera em nossa sociedade.

Aí, o nosso equivocado Secretário de (Des)Segurança Pública, Sr. José Mariano Beltrame, informa que “poderíamos acabar com os traficantes em um dia, se quiséssemos, mas não vamos colocar a população em risco.”

- E daí, Secretário? Acabar com traficantes representa uma ação específica contra a vida humana, cujo objetivo é levá-los à morte.

Claro que numa sociedade em que a população está acuada pelo medo, muitos apóiem a pena de morte aos bandidos acreditando ser essa a solução, o que é um outro imenso e lamentável equívoco.


- Mas, Secretário, o senhor não é povo. Está num cargo que envolve ações de inteligência e depoimentos dessa natureza só demonstram despreparo para o cargo.


Eliminar o traficante nem de longe fará se extinguir o tráfico.


- Acredito, Sr. Secretário, que não tenha sido contratado para enxugar gelo. O traficante é resultado de uma série de graves distorções sociais.


É natural que se devam continuar existindo as ações policiais, mas enquanto se associar a causa da violência urbana à bandidagem, estaremos agindo como a pessoa com câncer no cérebro que toma o analgésico para aliviar a dor.

- Vamos lá, Secretário, convoque sociólogos, profissionais de educação, assistentes sociais. Vamos ouvir os juristas, os representantes dos núcleos familiares, os inúmeros voluntários religiosos ou não que se doam pela causa da inclusão social. Que tal, também, buscar médicos, sanitaristas, pedagogos, psicólogos, publicitários, jornalistas e tantos outros representantes sociais. Monte uma força-tarefa que envolva ações reais de repreensão, mas que não ignore o mais importante: os aspectos profiláticos. Ah, mas esqueça totalmente os políticos, como o seu chefe, por exemplo. Porque os políticos são só gargantas que bradam por soluções, mas que precisam da miséria humana para se reelegerem.


Assim, Secretário, haverá uma chance real de se acabar com a violência em nosso querido Rio de Janeiro. Pode ser até que perca o cargo, mas ficará para sempre como o primeiro Secretário de Segurança Pública que de fato nós já tivemos.


Como não sei se serei a próxima vítima, deixe-me apresentar enquanto estou viva:
- Muito prazer, eu sou Alcione Koritzky.

Alcione Koritzky

sábado, 11 de agosto de 2007

Quem escreve também dos males se despede!

Alguma vez você começou a escrever só para passar o tempo? Não importa se era um excelente texto literário ou uma porcaria qualquer, mas você escreveu? Se a resposta for sim, qual foi sensação? Aposto que de certa forma deve ter sido bem agradável.

Pois é, sempre disseram que quem canta seus males espanta, mas e quando a gente escreve também. Quantas meninas têm diários que são verdadeiros confidentes de suas dores e sorrisos, quantas raivas são despejadas nas linhas de uma folha, quantos amores, lícitos e ilícitos, são descritos nos papeis, quantas idéias são passadas através dos símbolos gráficos. Realmente, nos servimos da escrita das mais variadas formas.

Não é preciso de muito conhecimento sobre a gramática da língua que quisermos escrever, basta apenas que tenhamos ao alcance das nossas mãos uma folha em branco e de um utensílio que sirva para marcar a folha, pobre coitada. E pronto, teremos uma poesia, um conto, uma carta ou um registro que só Deus sabe se será útil para a humanidade. Porém de uma coisa temos certeza: o que for escrito pode até não ser útil para a sociedade, mas para quem escreveu vai ser com certeza!

Pensemos nisso quando nos recusarmos a escrever: Será que Drummond ficou analisando se os seus escritos eram úteis para alguém? E Oscar Wilde, Cecília Meireles, Machado de Assis? E aquele rapaz inglês, Shakespeare, que escreveu os melhores textos cênicos da história e que dizem que a maioria deles foi escrita apenas para que ele tivesse o que comer? É claro que quando pegarmos em um papel e caneta não vamos ter a pretensão de tornarmos os novos mestres da escrita, mas que se dane escrevamos mesmo assim se nos for útil e agradável naquele momento.

Bom, essa era a mensagem que queríamos passar com essas pobres linhas. Se alguém após a leitura sentir-se animado a começar a escrever ótimo, se não paciência. Mas aqueles que já têm esse hábito possam cultiva-lo cada vez mais e que possam despir-se de todos os tipos de medo e mostrar ao mundo seus escritos. Um bom começo é mostrar para os amigos íntimos e depois, aos poucos, mostrar aos conhecidos e desconhecidos se sua intenção for escrever para instruir ou distrair. Agora se a sua escrita for apenas uma forma de terapia que continue a escrever.

Agora é pegar papel e caneta e mãos a obra!

Tonni Nascimento

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Meu guri

Dona Natureza morava no morro. Era uma espécie de mendiga verde. Vivia de uma esmolinha aqui, outra ali. Não incomodava ninguém, só queria saber de levar sua vidinha. Acordava bem cedo e mal caía o dia já estava na cama. Pobre, abandonada, alimentava-se de água e luz, mas, mesmo assim, não fazia o tipo revoltada. Humilde, achava que tinha tudo o que precisava para viver. Acreditava em Deus, e que o Criador devia saber o que estava fazendo.

Como típica carioca moradora de morro, Dona Natureza viu-se obrigada a passar por todos o tipo de agressão. Foi queimada, violentada, teve sua casa invadida, levou paulada, viu seus filhos serem assassinados. Tem até hoje um buraco negro no pulmão, fruto de uma bala perdida que insiste em não cicatrizar e que, a cada dia, só faz aumentar. Mas quem liga para o que acontece nos morros? Quem liga para o que acontece com Dona Natureza? Algumas poucas pessoas, percebendo seu sofrimento, até tentaram ajudar. Plantaram mudas que não mudaram nada. No máximo, aliviaram a culpa.

El Niño, filho mais novo de Dona Natureza, o único que sobreviveu à ultima chacina, não aceitando o conformismo da mãe e sem nenhuma perspectiva de futuro, acabou por seguir o caminho de tantas outras crianças: passou a cometer pequenos delitos. Transformou-se numa espécie de pivete verde. Começou a promover arrastões levando os carros dos bacanas, invadindo casas, e até matando, com suas enchentes e chuvas de verão. Por onde passava, instaurava o medo. Do quase anonimato foi parar nas paginas dos principais jornais do mundo, como um perigoso assassino a ser combatido a todo custo. Foi perseguido, investigado, acusado. El Niño, que no fundo era de natureza pacifica, foi transformado em um grande vilão. Sua passagem como um furacão serviu ao menos para abrir os olhos de algumas pessoas, que viram na sua revolta um fato a ser estudado.

Mas como um Big Brother da vida, teve seus 15 minutos de fama e desapareceu da mídia. Poucos meses depois, era como se nada tivesse acontecido. Revoltado com o sofrimento de sua mãe, a cada dia mais pobre e doente, e com o descaso das autoridades, El Niño se mandou do morro prometendo vingança. Por aqui, quase ninguém lembra dele. Dizem que saiu do país e que, depois de participar de inúmeras guerrilhas, é hoje um dos terroristas mais temido do mundo, uma espécie Bin Laden verde, que estaria por trás de tsunamis, furacões, tornados, secas e outros grandes atentados. Lunático, fundador de uma seita fundamentalista, vive na clandestinidade, escondido com seus seguidores em algum lugar da Antártida, preparando um próximo atentado ainda mais violento. Hoje, não aceita negociar. Acha que não existe mais clima para isso.

Silvio Lach

Publicado originalmente na Revista Domingo/ JB – edição de 15 de abril de 2007.

sábado, 4 de agosto de 2007

A beleza da vida

Alguns dias atrás recebi uma notícia muito agradável: uma grande amiga está grávida. Num primeiro momento fiquei um pouco apreensivo, afinal de contas tanto ela quanto seu namorado são novos, mas depois fiquei mais tranqüilo, pois sei que eles têm plena consciência do que estão fazendo. E tenho certeza que eles terão apoio, no que for necessário, para criar seu filho tantos dos familiares quanto dos amigos.

Dias depois de receber tal notícia comecei a pensar como nós, seres humanos, somos felizes em ter consciência do que está acontecendo a nossa volta e no nosso corpo. Os outros animais não sabem direito o que está acontecendo, eles apenas sentem.

Já paramos alguma vez para pensar no quanto é belo vermos uma mulher que está gerando outra vida dentro dela? Como a natureza, ou Deus (para aqueles que acreditam) é sábio em nos permitir isso? Temos nove meses, mais ou menos duzentos e setenta dias para nos preparar para receber aquela criaturinha que será o motivo e razão futura de tudo que viemos a fazer na nossa vida desse momento em diante. Teremos trinta e oito semanas para nos prepararmos e receber em nossos braços um ser que será totalmente dependente de nós por muito tempo.

Confesso que tenho um desejo enorme de ser pai, de ouvir pela casa o som de uma nova vida. E, por isso, a cada amigo ou amiga que me diz que vai ser pai ou mãe sinto uma pontada de inveja, não pelo outro está recebendo essa graça, mas por ainda não ter chegado o meu momento. E, de certa forma, tento observa-los e aprender o que deverei fazer quando minha hora chegar.

Por considerar tanto a maternidade quanto a paternidade como algo tão belo e um divino presente, não consigo entender algumas atrocidades cometidas contra seres indefesos que apenas querem uma chance de nascer, serem recebidos com amor e dentro desse sentimento crescer. Não vou aqui julgar esse ou aquele por qualquer tipo de ato cometido contra uma criança seja que idade tiver, inclusive as que ainda não nasceram.

Paremos um dia, por alguns instantes e observemos cenas corriqueiras do nosso dia-a-dia que não damos tanta importância. Como um casal que espera seu primeiro filho. Quanto eles curtem aquele momento, como já se sentem ligados àquela criaturinha que ainda nem um rosto tem. Ou como pais com seu bebê ou com crianças um pouco maiores que passeiam juntos e se divertem. Vejamos como a natureza é sábia e bela.

Somente nós, seres humanos, temos a graça de perceber, entender esses sentimentos, somente nós sabemos o que é ser mãe ou pai. Então que passemos a valorizar esse dom que recebemos e amemos os nossos filhos, os que já estão aqui e os que virão.

Tonni Nascimento