As ideias e opiniões expressas no blog são de total responsabilidade de seus autores.
Mostrando postagens com marcador Juliana. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Juliana. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

O que todos os homens deveriam saber


Abro a porta do meu carro e de cara coloco um CD do Bruno e Marrone. Fecho as janelas para que meus vizinhos não descubram que eu sou uma brega não-assumida. Aumento o volume e vou refletindo sobre essa sua mania de me deixar pra trás. Essa sua mania de me dizer que estou errada em tudo que eu faço e que nem que eu tente mil vezes, conseguirei ultrapassar a barreira da tua masculinidade.

Aí eu penso, penso, penso e chego a conclusão que eu não quero ultrapassar a barreira de ninguém. Mal consigo lidar com a minha própria. Me dou conta de que eu só quero alguém para dar a mão e caminhar na beira do mar catando conchinhas.

Mas você insistiu todos esses anos em me dizer que eu não era boa o suficiente para você. Mas quer saber? Ninguém nunca vai ser boa o suficiente para você e, ao invés de isso me animar, me deixa triste, porque depois de mim você só vai conseguir conviver com você mesmo. Aliás, é isso que você faz de melhor.

E eu que passei grande parte desse tempo acreditando nessa história de que você seria o pai dos meus 12 filhos e nossa primeira aquisição seria uma fazendinha cheia de patinhos brancos bonitinhos.

O fato é que o patinho fui eu o tempo todo, todo o tempo do mundo. Fui eu em quem nadou num laguinho pra lá e pra cá. Cansei de nadar e não encontrar meu porto seguro, cansei de esperar que você me salvasse das dores do mundo e que me protegesse com teu abraço. Mas eu cansei também de ser a menininha chorona que não deixava você ir embora porque morreria de saudade. Nessa brincadeira toda, eu fui embora de mim mesma e você ficou, dentro desta gravata azul, muito bem guardado.

Não quero mais ser a maluca que quer ficar bonita pra você, ficar cheirosa pra você, ficar legal pra você. Não quero mais procurar paixão e encontrar indiferença.

E agora eu quero mesmo é que você continue esse valentão que pode pegar todas, mas que no fundo não pega nenhuma. Essa sua mania de não entender o que eu sinto me fez entender perfeitamente o que eu sinto. E é só por isso que eu tenho que te agradecer.

Consigo me olhar no espelho agora e me ver mais claramente. E perceber o quanto eu sou maravilhosa. E agora eu posso dizer que você é pouco pra mim. E quer saber mais uma coisa? A minha verdadeira loucura sempre foi tentar desculpar o que não tem desculpa.
Juliana Farias

quinta-feira, 27 de setembro de 2007

O que me irrita

Peço sinceras desculpas por não ter postado antes, mas foi culpa de um vírus que se instalou hoje e só consegui remover hoje à noite. Apesar de não ter perdido nada de meus arquivos, me deu um prejuízo imenso esse tempo sem poder trabalhar. De qualquer forma já resolvi e espero não precisar atrasar mais.
------------------------------
O que me irrita...
Não tem muitas coisas que me fazem perder a paciência. Já tive a oportunidade de dizer que era impaciente com tudo, mas são águas passadas. Amadureci o suficiente para aprender a fazer da calma um exercício diário. Mas confesso, sem duvidar, que existe uma forma de me tirar do sério.

E não falo de uma irritação natural, daquelas que temos sem motivos aparentes, só por culpa de um dia ruim. Me refiro a uma irritação profunda e descompassada que, se não tivesse feito tantos anos de análise, possivelmente me faria assassinar alguém.

Eu estou falando da burrice. Se antes eu não sabia, hoje eu sei o que me faz perder a calma totalmente: a burrice. Ai, a burrice me dá nojo, me dá náusea, me dá... me dá... me dá...

Não me refiro as burrices por falta de estudo, oportunidades e etc. Me refiro as burrices por falta de compreensão, de ouvidos, de atenção e de boa vontade. Essa é a burrice que não tem solução, que livro algum poderá solucionar na vida desse cidadão.

O que me indigna na vida é a burrice, realmente isso eu posso afirmar. Me indigna mais que tudo. A burrice pra mim, é a doença mais grave que alguém pode sofrer. E o pior, sofre por vontade própria. Eu odeio a burrice e odeio mais ainda quem se aproveita dela para passar bem.

Juliana Farias

domingo, 23 de setembro de 2007

Loucura é a nossa doença

Primeiramente, gostaria de me apresentar: Juliana Farias, sou jornalista especializada em comunicação e política. Atualmente, tenho uma assessoria de imprensa em Porto Alegre, sou colunista de alguns sites e estou finalizando um documentário sobre solidão. Na profissão, já atuei em todas as áreas do jornalismo, mas confesso – sem medo – que minha paixão é o jornalismo político. Como pessoa, sou um ser pensante 20 horas por dia, descontando as quatro horas em que descanso o corpo. Sou apaixonada por cinema brasileiro e músicas antigas e confesso – novamente sem medo – que Nelson Gonçalves e Chico Buarque não param de tocar no meu mp3. Depois desta pequena apresentação, gostaria de agradecer o convite – aceito de imediato – feito pelo Tonni Nascimento e espero ser útil na contribuição, toda quinta-feira, com textos reflexivos e, sempre que possível, bem-humorados. Mas vamos ao que interessa de verdade, o texto!
  • Loucura é a nossa doença
Esta reflexão tão lúcida que me proponho a fazer sobre o Renan Calheiros é conseqüência do que descobri há alguns dias. Venho algum tempo escrevendo sobre minha aversão a este cidadão, mas, após pensar melhor, cheguei a uma conclusão bem diferente. No fundo, a culpa não é dele, nem é nossa. No fundo, a culpa é da loucura.

Ele disse que não iria sair do Senado e de fato lá ele ficou. Quando se resolveu julgá-lo, o tal julgamento foi realizado na "sua casa" com seus queridos compadres. E quando se percebeu que a sociedade poderia se indignar com o resultado, se fechou a casa e se determinou o sigilo total.

Fomos, então, violentados sem pena, humilhados e martirizados esperando do lado de fora um resultado já discutido e programado por eles. Enquanto isso, o presidente viajava e discutia a questão do etanol e se recusava a falar de Renan, votação ou qualquer outro assunto que não fosse o tal etanol.

E nós, dentro da nossa loucura coletiva, permanecemos sem entender nada, sem conseguir refletir ou analisar sequer o motivo disto tudo. Ironia nossa achar que deveríamos ter algum tipo de satisfação desses caras, bobagem nossa achar que merecemos uma explicação sobre essa votação escondida.

Eles não têm tempo para isso. Eles não precisam disso. Eles comandam o país, meus queridos. Eles têm outros interesses para cuidar que não é nos explicar alguma coisa. Nunca foi, nem nunca será. Nós seguimos enlouquecendo um pouquinho mais a cada dia. Economizando cada vez mais e recebendo cada vez menos para conseguir sobreviver. A carência moral e ética que nos acalenta é, nada mais nada menos, que um item presente na cartilha do congresso, que hoje me obrigo a escrever com a letra minúscula.

"São todos uns idiotas que acham que nos enganam", "é um bando de corruptos que só querem saber da gente na época da eleição". Sim! Este é o nosso discurso. Pelo menos o discurso dos que ainda pensam.

Depois desta indignação vem a frase típica do país tropical: "A gente não pode fazer nada", "Eles são mais poderosos, vão roubar sempre". Sim! Eles são poderosos, mas nós somos 180 milhões! Somos uma grande massa que deixa se levar pela tal esquizofrenia que eles nos impuseram. E nós aceitamos, de braços bem abertos.

Mas, então, me diz o que você sugere? O que sugiro? Qualquer coisa que não seja continuar enlouquecendo até ir parar no hospício, que é onde eles querem que a gente fique. Precisamos sair às ruas, com nariz de palhaço mesmo, gritar para que nos escutem e se preciso fazer greve.

Precisamos mobilizar os mais carentes e fazê-los entender que não passam de pessoas sem oportunidades que estão sendo feitas de otárias, assim como nós. Precisamos dizer a eles que não são burros como os acham e que precisam apenas recuperar suas vozes!

A partir daí, aposto, que vão começar a olhar a gente com outros olhos. Não sei se irão parar de tentar nos enganar, de desviar dinheiro público ou de doar cargos para incompetentes em troca de favores. O que sei, de fato, é que pelo menos nós não seremos mais os pilares que não falam e aceitam tudo, que seguram esse bando. Porque nós estamos dominados por este estado de loucura, mas estamos vivos. E é assim que devemos permanecer.

Até quinta!