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domingo, 6 de junho de 2010

E viva a Diversidade!

Em tempos de total democracia nada mais normal do que a aceitação da diversidade seja no âmbito político, religioso, sexual ou qualquer outro que tenha na nossa sociedade que vemos atualmente. Temos vistos nos meios de comunicação, e principalmente na internet, matérias e inserções sobre a 14ª Parada Gay da cidade de São Paulo, atualmente Parada do Orgulho Gay.


Por muito tempo vimos os homossexuais, tanto masculinos quanto femininos, serem diagnosticados como pervertidos, doentes ou escória da sociedade. E atualmente ainda há grupos sociais que insistem em vê-los ainda dessa forma, mas felizmente esses grupos tem tido cada vez menos aceitamento pela sociedade organizada. Numa clara visão de respeito ao direito individual do cidadão. Ainda há, infelizmente, muito preconceito e desrespeito aos cidadãos que decidem fazer o seu outling e viver sua vida de acordo com o que pensa e sente.


Ah você não concorda? Você acha que a homossexualidade é uma afronta à sociedade e a Deus? Tem todo o direito. Afinal você também é um cidadão e tem suas ideologias, mas também como cidadão tem a obrigação de respeitar o outro em todos os campos (político, religioso, sexual e etc.). Agora que tal tentar entender a situação e posição do outro? Que tal ao invés de vê-lo como lixo ou como qualquer outro adjetivo pejorativo, vê-lo como um irmão, um cidadão, um indivíduo. Enfim, uma pessoa que como você trabalha, estuda, sofre, ama e sonha. E é possuidor do direito de viver do melhor modo que considera para sua vida.


O que há alguns anos começou como um modo de expor sua sexualidade e de brigar pelo seu espaço, seus direitos e, visto por muitos, como falta de pudor hoje é uma festa. Festa essa curtida tanto pelos homossexuais quanto pelos heterossexuais que entendem e respeitam o direito e sentimentos do outro. Essa festa irá acontecer hoje e essa festa já há muito é esperada não só pelos paulistas, mas por brasileiros e estrangeiros. A maior manifestação pública de respeito e orgulho homossexual do hemisfério sul.


Hoje vemos muitas famílias, senhoras, senhores, homens, mulheres, jovens, crianças. Toda uma parcela da sociedade que já consegue, felizmente, entender o direito que todos temos de viver, de amar e de sentir. Esperamos que esses cidadãos sejam cada vez mais a regra e não a exceção, o que para nossa alegria vem aos poucos acontecendo.


Que a festa de hoje possa ocorrer com a tranqüilidade e alegria que é peculiar ao povo brasileiro. Um povo alegre, festeiro e que aos poucos vêm tomando consciência de seus direitos e deveres, bem como o modo de brigar por eles. Que hoje os brasileiros que estiverem nas avenidas e ruas de São Paulo possa mostrar ao Brasil e ao Mundo o que é respeitar a opinião do outro, o que é respeitar o modo de sentir, de desejar o amar do outro cidadão. E viva a Diversidade!


Tonni Nascimento


domingo, 30 de maio de 2010

Cotas raciais e cotas sociais

Há poucos dias voltou à baila uma discussão que alguns consideram esdrúxula enquanto outros consideram de extrema importância: devemos ou não criar o acesso às universidades federais através do processo de cotas. Na hipótese desse sistema ser aceito manteremos o mesmo processo que temos em nível estadual? Cotas raciais e sociais ou serão criados outros critérios para que jovens pobres e negros tenha o acesso às universidades públicas? Qual é a sua opinião a respeito deste assunto?


Mas antes de você definir sua opinião, caso ainda não tenha. Vamos entender qual a diferença entre cota racial e cota social? Será que temos isso claro nas nossas cabeças ou confundimos uma com a outra? Cota racial é a reserva de uma determinada percentagem de vagas em um concurso público (neste caso o vestibular) para os indivíduos de uma determinada classe racial; já cota social é a reserva dessas vagas nesse concurso para um, ou mais, determinado grupo da social.


Particularmente eu sou contrário a esse sistema de acesso ao ensino superior público que atualmente vigora, nas universidades UERJ, UENF e UEZO todas instituições públicas e estaduais no Rio de Janeiro. Alguém após ler isso vai começar a me julgar e me criticar por ter essa opinião. Outros dirão que sou um burguês sem o menor sentimento de justiça ou um elitista que acha que os negros e pobres não devem ter as mesmas oportunidades que os brancos e ricos têm. É interessante explicar que não sou rico, não sou branco e não sou um elitista burguês.


Não quero com a minha afirmação no parágrafo anterior dizer que a população detentora de um menor poder aquisitivo não tenha direito ao acesso á universidade pública ou a uma educação decente. Todavia acredito que não devemos aceitar um sistema que gera um protecionismo ilusório e totalmente populista que em nada se preocupa com a formação de indivíduos e sim com a aquisição de votos na próxima eleição.


Digo isso por que não creio que somente o sistema de cotas irá aumentar o nível educacional da população, mas um sistema de cotas acompanhado de uma política séria de investimento na educação de base (ensino fundamental e médio) seria um bom começo para melhorar a educação no nosso país. Entretanto como nossos políticos atuais estão muito mais preocupados em angariar votos de forma imediatista, para ganhar a próxima eleição, acabam optando pelo processo que seja mais rápido e lucrativo para que conquistem seus objetivos. E esses objetivos não combinam com investimentos sérios e a longo prazo para melhorar o sistema educacional brasileiro e assim facilitar o acesso ao ensino superior de alunos das classes pobres da sociedade. É por esse motivo que sou contrário ao atual sistema de cotas que vigora em algumas instituições públicas de ensino superior.


Tonni Nascimento



domingo, 23 de maio de 2010

Essa é a nossa seleção?

Estava pensando sobre o que escrever e estava lendo os jornais on line para “encontrar” a inspiração ou receber o “click” com o assunto. Pois enquanto eu olhava as matérias dos jornais recebi o tal click quando passava os olhos sobre os assunto referentes a seleção brasileira de futebol que está se preparando para a disputa da Copa do Mundo da África do Sul.


Dentre esse tema vários assuntos poderiam ser abordados, mas preferi uma que soará como critica para alguns. A falta de identidade das últimas seleções com o povo brasileiro. E quando digo povo não são as classes C e D, ditas populares, mas o povo como um todo.


Lembro-me do tempo em que eu era um menino e nessa época, ou melhor, uns dois, três meses antes da Copa do mundo as ruas, os muros, as casas das cidades estavam todas enfeitadas de verde-amarelo e logo identificávamos que a Copa do Mundo estava se aproximando. Atualmente a gente só sabe que está perto do torneio por que a mídia fica bombardeando-nos com informações sobre a competição. Mas será que ainda temos aquela identificação com a seleção nacional?


Pois bem, vejamos, quantos jogadores desta seleção jogam no futebol brasileiro? Alias, desta só não. Há quanto tempo temos jogadores do futebol brasileiro na seleção brasileira? Creio que a última vez foi na Copa do México em 1986 onde boa parte dos “selecionados” eram “brasileiros”. Porem alguns dirão: Ah, mas se a maioria dos craques estão fora do país é justo que tenhamos poucos convocados que atuem por aqui. Ok, mas será que todos os convocados são titulares nos seus clubes de origem? Não! Será que os melhores jogadores do Brasil estão realmente jogando fora do país? Também não. Partamos então para uma outra questão: Quantos jogos a seleção fez no último ano? E quantos desses jogos foram no Brasil?


Então o “técnico” faz a sua convocação para a Copa e é marcada para o dia 20 de maio a apresentação da seleção e início dos preparativos para o torneio. O povo fica na imensa expectativa de rever a sua seleção, rever os craques do Brasil. Muitos vão até o aeroporto para recepcionar a seleção, sabem que o avião acaba de pousar, ficam ansiosos na área de desembarque e... nada de jogadores. A seleção desembarca do avião e, na pista mesmo, embarca no ônibus que iria levá-la para a concentração. Enquanto muitos brasileiros esperavam por ela no saguão do aeroporto a seleção sai pelas portas dos fundos. Nem se preocupando com os torcedores que estavam lá para recepcioná-la.


Após esses atos de desrespeito pelos torcedores brasileiros será que dá pra querer que o povo abrace essa seleção? Sinceramente não. Todavia como somos um povo apaixonado por futebol e, consequentemente, pela seleção brasileira iremos torcer com muita força para que esse time conquiste o mundo mais uma vez. Afinal somos brasileiros e mesmo discordando dos convocados e do técnico queremos outra vez gritar que somos campeões mundiais de futebol!


Tonni Nascimento


domingo, 16 de maio de 2010

A arte de viver só

Há algum tempo ouvi de uma pessoa próxima uma afirmativa que, de certa forma, me deixou um pouco intrigado. Todos nós somos carentes, uns mais outros menos, mas todos sem exceção temos algum tipo de carência. Será uma completa verdade essa afirmativa? Comecei a pensar sobre o assunto e no meio desses pensamentos deparei-me com uma outra idéia: todos nós temos, de um modo ou de outro, que prestar contas à sociedade e ter uma vida social. Isto é, está implícito, que devemos fazer parte de algum grupo ou formar uma família. Seja para satisfazer nossos desejos e anseios mais íntimos ou para a satisfação pessoal dos que estão à nossa volta.

Mas e onde ficam aqueles que não querem seguir essa tendência dita natural e preferem viver suas vidas sem essa busca incessante, sem essa necessidade de juntar-se a outra pessoa? Em alguns casos são vistas como exóticos, como extravagantes e até mesmo como pessoas de menor valor social. Contudo será que essas pessoas estão tão erradas assim, será que temos mesmo que juntar nossas escovas de dentes com outra pessoa? Sinceramente creio que não. Bom, de qualquer forma cada indivíduo tem o direito de pensar do modo que achar ideal mais conveniente.

Mesmo sabendo do direito que cada um tem de pensar, viver e agir do modo que melhor entender para sua vida, ainda assim a sociedade, ou alguns de seus membros, ainda insiste em olhar para essas pessoas com as mais diversas variações dos modos em que se pode olhar alguém. Desde o modo mais irreverente até o modo mais cruel. Vejamos, se um cidadão ou cidadã decide viver sozinha logo as pessoas que convivem com ela passam a brincar dizendo que ela está ficando “pra titia”, que está encalhado, que vai envelhecer e não terá ninguém para ajuda-lo; quando não começam a surgir os comentários jocosos e venenosos questionando a sexualidade da pessoa, como se isso fosse da conta de alguém.

Aqui conclamo os amigos para juntos chegarmos a uma conclusão: será que temos o direito de “investigar”, para usar um termo educado, a vida dos outros? Será que é realmente da nossa conta o que o outro está fazendo ou o por que dele não estar casado ou vivendo com outra pessoa? Alguns dirão que sim, temos o direito e o dever de saber sobre a vida do outro. Outros dirão que não, que cada um deve viver sua vida do modo que melhor lhe convir. E isso depende de cada um, depende da forma como essa pessoa foi criada, como seus princípios lhe foram passados. É isso que vai dizer intimamente se estarmos certos ou errados em tomar conta da vida do outro. Mas uma coisa precisa ser dita aqui. Cada um tem o direito e o livre arbítrio de fazer e viver do modo que quiser desde suas escolhas ou opções não sejam contrarias as leis que regem aquela coletividade ou sociedade. Por que se as regras da sociedade estão sendo desrespeitadas é nesse momento que temos não somente o direito, mas o dever de intervir na situação para que a sociedade possa continuar no seu caminho.

Tonni Nascimento

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

O Rio de Janeiro e o seu "lixômetro"

Não é de hoje que percebemos a quantidade absurda de lixo que os moradores e visitantes da nossa cidade jogam nas ruas da nossa cidade. Agora um fato me surpreendeu de forma positiva: o nosso prefeito falou abertamente sobre a falta de educação dos cariocas.


Já paramos para pensar na quantidade absurda de lixo que diariamente jogamos nas ruas da nossa cidade? E qual o motivo para fazermos isso? Prestemos um pouco de atenção nas atitudes das pessoas à nossa volta e perceberemos quanto nos desligamos por alguns segundos e atiramos o lixo através das janelas dos ônibus, dos carros, de todos os tipos de transportes coletivos ou não e também quando estamos apenas caminhando pelas ruas.


Por conta desse nosso péssimo hábito, nosso prefeito, Eduardo Paes, disse na quarta-feira (26/11/09) que irá instituir na cidade o lixômetro – um indicador que irá medir a quantidade de lixo jogado nas ruas da cidade. E ainda disse, com todas as palavras, que essa quantidade absurda de lixo é por conta da absoluta falta de educação de parte da população – a parte que insiste em fazer das ruas da cidade uma lixeira a céu aberto. Alguns irão alegar que a cidade não nos oferece lixeiras públicas suficientes para mantermos nossas ruas limpas e que é para isso que existe a Comlurb (Companhia municipal de lixo urbano).


Isso é um fato. Existem algumas localidades do Rio onde você anda por quarteirões inteiros e não encontra uma lixeira sequer, enquanto em outras localidades existe uma “superlotação” de lixeiras que elas quase chegam a disputar o nosso lixo no tapa, mas será que só por conta disso temos o direito de emporcalhar a cidade? E quanto à Comlurb, realmente pagamos impostos e com isso temos o direito de ver a cidade com os garis trabalhando. Só que eles estão ali para limpar o lixo ocasional gerado pela cidade e não pelo produzido espontaneamente pelos “cidadãos”.


Não podemos segurar por alguns instantes o papel da bala, do chiclete ou pô-los no bolso ou na mochila até encontrarmos alguma lixeira? E qual o problema de carregarmos o lixo na bolsa até chegarmos em casa? Não esqueçamos também das pessoas que passeiam pela cidade com seus animais de estimação e “esquecem” de recolher os dejetos produzidos pelos bichinhos. Não é vergonha levar uma sacola para recolher a sujeira que o totó fez ou enfiar na bolsa a embalagem da guloseima que consumimos. Isso é uma questão de educação, de cidadania.


Como será e como funcionará esse indicador de quantidade de lixo nas ruas da cidade eu não sei, mas estou curioso para vê-lo em ação. Por que somente dessa forma, assim espero, nos daremos conta do desserviço que fazemos à nossa tão amada e maltratada cidade.


Tonni Nascimento


quarta-feira, 20 de maio de 2009

Teoria e Prática

Esse texto é da minha mãe. É uma resposta a um exercício proposto no final do curso de Cuidador de Idosos da Prefeitura do Rio. O curso tem a duração de 2 meses e conta com 4 aulas práticas. É sobre isso que a minha mãe fala.



Bagagem Horária


Duzentas horas... não sei se houve troca, pois não sei o que dei ou quanto doei-me, mas com certeza aprendi com todos: instrutores, colegas e principalmente, com os idosos, Muito vou levar, até daqueles que, lamentavelmente, acham que só têm a ensinar. Vivi verdades teóricas e práticas mentirosas ou será que eram mentiras teóricas e práticas verdadeiras... não importa, se o significado da palavra verdade é o que se experimenta, que se alcance na prática a teoria, aquela que condiz com o respeito, com a dignidade, com o amor ao próximo, com o comprometimento com o fazer melhor.

Falar de cada um não seria difícil já que soube de lutas, dificuldades, barreiras vencidas e a serem vencidas. Percebi procura por mudanças, senti a garra de cada um... obrigada, por compartilharem essas duzentas horas comigo. Mas, a maior lição eu vou levar de alguém especial, pelo exemplo maior de força, alguém que por diversas vezes chegou pernoitada, que esteve sempre alegre ou passa sempre uma alegria, participativa, que doou os seus conhecimentos. Foi uma tranqüilidade tê-la como companheira no estágio. Aquela que assim como a outra, que também teve seu filho assassinado, não perdeu a doçura e não deve ser por acaso que se chama Maria (Cecília).

Senti o aconchego das mãos enrugadas pelo tempo, muitas que outrora foram produtivas, laboriosas e agora retinham as minhas, buscando segurança, carinho, o elo, a certeza de não mais estar sozinho. Ouvi histórias e muitas vezes me encontrei nelas, lembrei do avô, da avó, da mãe, pessoas queridas e desconhecidas daquelas, mas com histórias tão parecidas, identifiquei-me e me projetei.

“Verbalizei a paciência” para ouvir tantas vezes a mesma história, para manter o diálogo confuso, por não ter a resposta de tantas perguntas, para conter a indignação por não poder mudar a instituição, por ser mais um elemento em atuação e não de transformação. Mais uma vez, senti-me impotente diante da vida.
Penetrei os olhos que falam e perguntei-me: será que são tão expressivos porque não conseguem mais a comunicação verbal. Como dizem tantas coisas, pedem socorros, externam a tristeza e a alegria. Vou guardar para sempre os olhos de Laura, não porque eram de um azul lindo, mas porque eles refletiam a sua alma, eram os mais intensos.

Quantas horas têm uma vida? Algumas desperdiçadas, outras bem vividas, há ainda aquelas sofridas, tristes, doloridas. Há as só de alegria, esperança, fé, e nessas duzentas horas... vivi todas elas, ali contidas.

Eunice Loureiro Dias




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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Um novo golpe em Brasília

Gostaria muito de começar este texto escrevendo a seguinte frase: Não se assustem, meus amigos, o título da nossa crônica é apenas uma brincadeira de muito mal gosto, diga-se de passagem. Mas para nossa infelicidade não posso escrever isso. Pois mais uma vez, para nosso desespero, nossos “respeitáveis e nobres” deputados federais (ops, desculpem-me pelo palavrão), após diversos escândalos, estão preparando mais um vergonhoso e duro golpe na nossa já tão maltratada – por eles mesmos – democracia, que tantos brasileiros honrados deram suas vidas para que essa corja aproveite-se agora dela.


Minha raiva e descontentamento explícito no parágrafo acima podem ser explicados pelo que vou descrever a partir deste ponto. Depois de tantos escândalos e demonstrações públicas de pouco ou nenhum respeito pela sociedade brasileira, que é quem paga pelos serviços(?) que eles nos prestam, agora eles surgem com mais uma “brilhante” ideia para as próximas eleições proporcionais – deputados federais e estaduais e vereadores. Eles querem agora que nós votemos em uma lista fechada e financiemos a campanha, isto é, não poderemos escolher o nosso candidato e ainda teremos que pagar a conta dessa festa.


É isso mesmo. Agora ao invés de escolher e votar em um candidato, não tendo a certeza de que ele será eleito e ainda correndo o risco de com esse voto eleger um bandido, como ocorre agora no nosso sistema eleitoral, nós teremos que escolher um partido, que terá uma lista formada pelo próprio partido – leia-se seus caciques, e votar nessa legenda correndo o risco de os bons políticos, aqueles a quem nós queremos realmente eleger, estarem no final da lista ou nem conseguirem mais serem eleitos. Até porque somente serão eleitos os que estiverem no topo dessa lista e adivinhem quem vai estar nesse topo? É claro que os parentes dos grandes caciques e/ou seus apadrinhados políticos. E ainda por cima querem que toda essa festa seja financiada com o dinheiro do contribuinte, ou seja, com o nosso dinheiro. Pois essa farra toda será financiada com o dinheiro público.


Como bem lembrou a jornalista e comentarista política Lucia Hippolito, em meados do ano de 2008 foi feita uma pesquisa de opinião pública querendo saber a posição do eleitorado brasileiro sobre o assunto. O resultado foi que 74% do eleitorado foram contrários ao voto em lista fechada e 75% foram contrários ao financiamento público da campanha política. Nossos admiráveis representantes alegam que com essa reforma política os casos de financiamento de caixa dois irão terminar. Agora o que esses fascinantes cidadãos querem fazer? Será que não se importam com o que pensa o povo brasileiro? Ou será que querem se perpetuar no poder legislativo?


Nada contra o voto em lista, se ele for feito em um sistema eleitoral que tenha como esteio o sistema de voto distrital ou um sistema de governo parlamentarista, que funciona de um modo completamente diferente do nosso que é presidencialista. Pois se essa mudança acontecer o nosso sistema ficará igual ao modelo argentino. Agora, se alguém estiver curioso, que tal dar uma olhada nos sobrenomes que compõem as listas argentinas. Se você for pesquisar não se assuste, pois vai encontrar nessas listas muitos sobrenomes dos senadores argentinos.


Agora refaço a pergunta que já fiz numa outra crônica muito anterior a esta: Onde estão as classes profissionais que vivem apregoando aos quatros cantos que são os defensores da moral e da ordem pública? Onde está a OAB e as ONG’s que ainda não se pronunciaram sobre tal assunto? Será que esse tema não é digno ou importante o suficiente para elas se preocuparem e virem a público se pronunciar? Eu ainda não vi nenhuma delas ou de seus dirigentes virem ao proscênio da mídia se pronunciar sobre tal absurdo. Espero sinceramente que os políticos honestos e as instituições sérias façam sua parte para que essa proposta absurda não seja aprovada.


Tonni Nascimento