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terça-feira, 7 de agosto de 2007

Meu guri

Dona Natureza morava no morro. Era uma espécie de mendiga verde. Vivia de uma esmolinha aqui, outra ali. Não incomodava ninguém, só queria saber de levar sua vidinha. Acordava bem cedo e mal caía o dia já estava na cama. Pobre, abandonada, alimentava-se de água e luz, mas, mesmo assim, não fazia o tipo revoltada. Humilde, achava que tinha tudo o que precisava para viver. Acreditava em Deus, e que o Criador devia saber o que estava fazendo.

Como típica carioca moradora de morro, Dona Natureza viu-se obrigada a passar por todos o tipo de agressão. Foi queimada, violentada, teve sua casa invadida, levou paulada, viu seus filhos serem assassinados. Tem até hoje um buraco negro no pulmão, fruto de uma bala perdida que insiste em não cicatrizar e que, a cada dia, só faz aumentar. Mas quem liga para o que acontece nos morros? Quem liga para o que acontece com Dona Natureza? Algumas poucas pessoas, percebendo seu sofrimento, até tentaram ajudar. Plantaram mudas que não mudaram nada. No máximo, aliviaram a culpa.

El Niño, filho mais novo de Dona Natureza, o único que sobreviveu à ultima chacina, não aceitando o conformismo da mãe e sem nenhuma perspectiva de futuro, acabou por seguir o caminho de tantas outras crianças: passou a cometer pequenos delitos. Transformou-se numa espécie de pivete verde. Começou a promover arrastões levando os carros dos bacanas, invadindo casas, e até matando, com suas enchentes e chuvas de verão. Por onde passava, instaurava o medo. Do quase anonimato foi parar nas paginas dos principais jornais do mundo, como um perigoso assassino a ser combatido a todo custo. Foi perseguido, investigado, acusado. El Niño, que no fundo era de natureza pacifica, foi transformado em um grande vilão. Sua passagem como um furacão serviu ao menos para abrir os olhos de algumas pessoas, que viram na sua revolta um fato a ser estudado.

Mas como um Big Brother da vida, teve seus 15 minutos de fama e desapareceu da mídia. Poucos meses depois, era como se nada tivesse acontecido. Revoltado com o sofrimento de sua mãe, a cada dia mais pobre e doente, e com o descaso das autoridades, El Niño se mandou do morro prometendo vingança. Por aqui, quase ninguém lembra dele. Dizem que saiu do país e que, depois de participar de inúmeras guerrilhas, é hoje um dos terroristas mais temido do mundo, uma espécie Bin Laden verde, que estaria por trás de tsunamis, furacões, tornados, secas e outros grandes atentados. Lunático, fundador de uma seita fundamentalista, vive na clandestinidade, escondido com seus seguidores em algum lugar da Antártida, preparando um próximo atentado ainda mais violento. Hoje, não aceita negociar. Acha que não existe mais clima para isso.

Silvio Lach

Publicado originalmente na Revista Domingo/ JB – edição de 15 de abril de 2007.

sábado, 4 de agosto de 2007

A beleza da vida

Alguns dias atrás recebi uma notícia muito agradável: uma grande amiga está grávida. Num primeiro momento fiquei um pouco apreensivo, afinal de contas tanto ela quanto seu namorado são novos, mas depois fiquei mais tranqüilo, pois sei que eles têm plena consciência do que estão fazendo. E tenho certeza que eles terão apoio, no que for necessário, para criar seu filho tantos dos familiares quanto dos amigos.

Dias depois de receber tal notícia comecei a pensar como nós, seres humanos, somos felizes em ter consciência do que está acontecendo a nossa volta e no nosso corpo. Os outros animais não sabem direito o que está acontecendo, eles apenas sentem.

Já paramos alguma vez para pensar no quanto é belo vermos uma mulher que está gerando outra vida dentro dela? Como a natureza, ou Deus (para aqueles que acreditam) é sábio em nos permitir isso? Temos nove meses, mais ou menos duzentos e setenta dias para nos preparar para receber aquela criaturinha que será o motivo e razão futura de tudo que viemos a fazer na nossa vida desse momento em diante. Teremos trinta e oito semanas para nos prepararmos e receber em nossos braços um ser que será totalmente dependente de nós por muito tempo.

Confesso que tenho um desejo enorme de ser pai, de ouvir pela casa o som de uma nova vida. E, por isso, a cada amigo ou amiga que me diz que vai ser pai ou mãe sinto uma pontada de inveja, não pelo outro está recebendo essa graça, mas por ainda não ter chegado o meu momento. E, de certa forma, tento observa-los e aprender o que deverei fazer quando minha hora chegar.

Por considerar tanto a maternidade quanto a paternidade como algo tão belo e um divino presente, não consigo entender algumas atrocidades cometidas contra seres indefesos que apenas querem uma chance de nascer, serem recebidos com amor e dentro desse sentimento crescer. Não vou aqui julgar esse ou aquele por qualquer tipo de ato cometido contra uma criança seja que idade tiver, inclusive as que ainda não nasceram.

Paremos um dia, por alguns instantes e observemos cenas corriqueiras do nosso dia-a-dia que não damos tanta importância. Como um casal que espera seu primeiro filho. Quanto eles curtem aquele momento, como já se sentem ligados àquela criaturinha que ainda nem um rosto tem. Ou como pais com seu bebê ou com crianças um pouco maiores que passeiam juntos e se divertem. Vejamos como a natureza é sábia e bela.

Somente nós, seres humanos, temos a graça de perceber, entender esses sentimentos, somente nós sabemos o que é ser mãe ou pai. Então que passemos a valorizar esse dom que recebemos e amemos os nossos filhos, os que já estão aqui e os que virão.

Tonni Nascimento

domingo, 22 de julho de 2007

A Perda da Inocência

Você se lembra dos seus primeiros anos de vida? De como tudo era novo e mágico e o mundo parecia um lugar imenso de mistérios intimidadores? Ainda bem que você era acompanhado de dois super-heróis prontos para te ajudar: papai e mamãe.

Lembra de como o quintal ou a rua em frente à sua casa pareciam um mundo de infinitas possibilidades onde amigos reais e imaginários poderiam ser o que quisessem?

Lembra de como as “tias” da escola pareciam imensas e inteligentes, sempre sabendo como resolver aqueles trabalhinhos complicados que te davam para fazer na escola?

Ah, que delícia era ser o desbravador do mundo: encontrar casulos pendurados em árvores perto de casa, ralar o joelho e saber que a super-mamãe está sempre lá para te salvar, rolar na grama e sair cheio de carrapichos pendurados pela roupa, ser o melhor jogador da rua (mesmo que os outros jogadores todos apontem para si dizendo o mesmo)...

Mas aí algo acontece.

É difícil definir quando esse momento chega, mas acaba sendo em algum ponto entre o dia em que você deixa de desenhar o seu próprio nome para efetivamente escrevê-lo e o dia em que você descobre que o Papai Noel e o Coelhinho da Páscoa não existem exatamente na forma de pessoas. De repente o mundo passa a não ser tão grande quanto se imaginava, o que antes era misterioso passa a se tornar conhecido e catalogado e papai e mamãe deixam de ser tão super assim.

Agora você já pode ir até a padaria ou ao mercadinho da vizinhança quando sua mãe pede, os livros que você lê começam a ter mais palavras do que figuras, a tia da escola começa a mostrar a ciência por trás da magia do mundo e você já descobriu um punhado de coisas em que papai e mamãe não são nem de longe tão bons quanto você imaginava.

E a vida continua a acabar com a festa. Ela te força a aprender o que é a decepção, a morte e todo um mundo de eventos e sentimentos longe do colo da mamãe.

E quando você se dá conta, ela já se foi. Aquela inocência dos olhos de criança dá espaço a discussões sobre política, religião, guerras, estudo, trabalho, dinheiro... Bem vindo ao mundo adulto!

Parece um quadro meio apocalíptico, eu sei, mas toda grande mudança é assim, não é? O que a lagarta chama de fim, é apenas o começo para a borboleta.

Por mais que a inocência se vá, se você for esperto o suficiente, vai saber manter o espírito jovem. E essa é que é a grande sacada para a vida adulta: crescer, mas manter uma certa jovialidade, uma certa curiosidade e uma certa visão imaginativa que só uma criança poderia ter, pois só assim você vai conseguir perceber que a vida deixou de ser uma festa de criança para se tornar um baile que pode ser tão divertido quanto a festa, apesar de ter um pouquinho mais de regras.

E, quando você menos espera, se da conta que está agradecido por aquela inocência infantil ter ido embora, porque só assim você consegue escapar de certas armadilhas do baile da vida adulta. Vai ver que é exatamente por isso que crianças não podem entrar nesse baile, né? E, nossa, como ele se torna magicamente maravilhoso quando você descobre certas verdades com as quais só um adulto consegue lidar. Mas o mais interessante é exatamente isso: a magia não acaba, apenas muda de roupagem a cada nova dança, a cada novo ritmo. E como perde aquele que fica se escondendo pelos cantos, sentado longe da pista de dança, apenas praguejando a própria sorte.

Vamos celebrar o fim da inocência e a beleza da vida adulta! Conceda a si mesmo o prazer desta dança!

sexta-feira, 20 de julho de 2007

Albergue



Eu lí num texto de Rubem Alves (do livro - O amor que acende a lua - que é muito bom por sinal) que nós somos um Albergue.
E que nesse albergue moram muitas pessoas. Umas boas, outras más, outras normais, outras esquezitas... Isso ficou algum tempo pairando na minha mente, sem que eu entendesse direito.

No meu albergue moram pessoas totalmente diferentes. A personalidade dominante é a dona do albergue, aquela que cobra o aluguel, que procura ver se o albergue está em boas condições, como andam os hóspedes... Essa personalidade dominante é aquela que manda e que conhece todos os outros inquilinos.

Alguns inquilinos precisam ficar presos e trancados (Rubem Alves também fala nisso e eu tenho que corcordar com ele). O meu ciúme é regido por um homem... Ele é impulsivamente impulsivo. Sente ciúmes de tudo e de todos, é aldaz, voraz, audacioso, e extremamente perigoso. Esse fica preso. Mas ele grita e como grita.

Outra é uma cigana. É "cigana oblíqüa". Essa está aprendendo a conviver com as pessoas. Vamos dizer que ela vive em regime semi-aberto, em alguns momentos ela fica trancada. Ela não grita, mas sussura... e, às vezes, é pior. Mas ela, eu sei que aprenderá a conviver com as pessoas com total educação... falta pouco pra liberdade total. Mas ela me ajuda. Eu sou tímida demais e ela é muito sensual, e muitas vezes eu preciso dela. É só ela aprender a vir com calma e não ser voraz e devoradora.

Outro inquilino é uma criança... ela é tranquila... às vezes passa correndo e cantando, fazendo bolinha de sabão... Não faz estranho algum, mas quando ela aparece sempre querem que eu volte a ser adulta... mesmo quando eu quero que a criança fique.

Tenho um deprimido dentro de mim. Um deprimido depressivo com tendências suicidas. Esse também fica trancado. Já soltei ele algumas vezes... foram os momentos mais tristes da minha vida... Eu o mantenho trancado, mas ele chora alto que dá dó. Toda vez que ele chora, me dá um aperto no peito... mas não dá pra soltá-lo. E uma vez ou outra ele pede pra morrer... Algumas vezes eu me senti tentada, foram as vezes que ele ficou solto. Se eu soltá-lo, teria que matá-lo, e isso implica em acabar comigo. Esse eu mantenho preso também.

O intelectual anda solto... O filósofo também passeia pelo hotel com liberdade... e é ele que está me ajudando a escrever esse texto. E o ansioso está aqui do lado atormentando e me deixando com dor de barriga.

O apaixonado deveria estar preso, mas me roubou a chave e anda cantarolando canções de amor e dizendo o nome de alguém a plenos pulmões, deixando o ansioso desesperado, o deprimido achando que tudo vai dar errado, o ilusionisma me enchendo de imagens bonitas e falsas na hora de dormir... ai! E eu mesmo estou perdendo o controle do albergue.

Eu preciso dominar a todos!
Apaixonado! Volta pro seu quarto! Ele não está apaixonado por nós!
Ansioso, se acalma! Não tem nada pra temer, não vai acontecer nada!
Deprimido, se alegre... não tem nada pra acontecer, não tem coisas tristes pra acontecer, só coisas alegres!
Ilusionista, pára de me mostar imagens de mim e de quem estou gostando. Eu gosto sozinha, ele nada sente por mim! Essa é a verdade!

Vamos ver se eu consigo colocar moral e restabelecer a ordem.

Eu sou uma e sou tantas....
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Eu não sei se foi um bom texto, mas eu precisava escrever isso.

domingo, 15 de julho de 2007

PAN, PAN, PAN, PAN ...




A vida é um hospital

Onde quase tudo falta.

Por isso ninguém se cura

E morrer é que é ter alta.

[Quadras ao gosto popular – Fernando Pessoa]


Poesia, jornalismo e política. Hoje, ao voltar do mercado a conversar com o motorista do táxi, quis ser especialista em cada um destes assuntos.


Primeiro quis ser poeta, para poder escrever o que ocorre com o mundo, de forma singela e doce, como faz Pessoa. Depois quis ser jornalista, para descrever o que se passa em nossa cidade de maneira verdadeiramente imparcial. E por último, quis saber e entender o que fazem esses a quem damos o poder de decidir o destino de nosso dinheiro, de nossos impostos e no fim, de decidir também como é nossa vida enquanto povo, população, cidadãos da República Federativa do Brasil.

Passávamos por uma rua perto de casa quando ele disse para que eu não andasse por ali à noite. “É deserto, escuro, perigoso e ultimamente tem dado muito assalto por aqui...”

Aí comecei a pensar no PAN enquanto conversava com ele. Não no pan-americano e seus turistas, força nacional, exército, médicos e ambulâncias a postos... Mas sim no PÂNico que mães e pai sofrem dia após dia ao saírem para trabalhar e deixar seus filhos em casa, ou quando precisam levá-los ao hospital público (que se tem médico não tem remédio, se tem remédio não tem leito etc.) No PANdemônio que é pegar ônibus lotado e encarar engarrafamentos quilométricos, em ter que pensar que se pago esta conta, não pago aquela.

E, como sempre gosto de buscar qual o meu papel em relação a isso tudo, percebi que minha falha maior é evitar os assuntos de política, evitar discutir sobre o que faz nosso Presidente, dizer que religião até pode, mas que política não se discute. E olhando em volta, dei-me conta que num quadro geral, esse é o perfil de brasileiro.


Cidadão esforçados, batalhadores, que lutam dia após dia contra as forças “invisíveis” do desemprego, da fome, do cansaço... Essa gente que vibra com a Copa do mundo, com o final da novela das oito, mas que é completamente desinformada em relação a política. A gente fala de política na fila do banco, dizendo que o país é uma bagunça. Mas não se importa em assistir o horário político, em ler os projetos de governo de nossos candidatos, de questionar a origem e a capacidade daquela pessoa em governar uma cidade, um estado, um país.


E depois a gente reclama... Reclama após votar em candidatos de milhares de partidos diferentes, sem saber se um apoiará o outro depois que eleito. A gente reclama, enquanto eles enriquecem e quase nada fazem. Apenas reclamamos, mas de que adianta se deixar manipular para sair a rua como caras pintadas se no fundo, nem sabíamos o real motivo de fazermos aquilo?


Esse PAN (e agora falo do torneio esportivo) me fez ver mais uma vez, que a assertividade do todo, depende do um. É claro que como boa torcedora, fico vibrando, gritando, pulando em frente a TV esperando por medalhas. Mas na vida além do PAN, está na hora de entra no time dos que vestem de verdade a camisa de seu país, e que fazem a diferença para que seja este o lugar onde quero viver e criar meus filhos.


Política e religião? Está mais do que na hora de discutir, entender, questionar!


E quanto ao posicionamento do novo Papa? Bem... Isso fica para o próximo post.


Beijocas politizadas.

sábado, 14 de julho de 2007

Viva essa energia!

Esse é o tema dos XV Jogos Pan-americanos, mas não iremos falar sobre os jogos. Pelo ao menos não diretamente. Vamos tentar falar sobre o que eles trarão de bom para a nossa cidade, nosso país e para o nosso povo.

Estamos vivendo uma onda de boas vibrações na nossa cidade por causa desse evento esportivo que o Rio de Janeiro está sediando. Moços, crianças e idosos estão em clima de festa e descontração. É como se estivéssemos em um carnaval ou reveillon fora de época, pois toda a cidade esta respirando, ou pelo ao menos tentando respirar, esse clima festivo que se nos apresenta.

Mas o que achamos desse tema? O que será que a organização pensou quando decidiu que seria esse o tom da nossa festa?

É bem interessante essa escolha, até por que se formos levar em conta ela veio em excelente hora, quase que por coincidência. É bom também lembrar que o tema foi definido há bastante tempo atrás, quando começou a pensar na cerimônia de abertura. Entretanto parecia que eles, os organizadores, estavam adivinhando o que estaria acontecendo com a nossa cidade.

Não é segredo para ninguém que nossa cidade, como todo o país, está passando por um momento bastante crítico no quesito segurança e, que por causa disso, a maioria ou boa parte da população tem andado apreensiva e até receosa em sair dos seus lares, de buscar o convívio com os outros. Fazendo com que alguns dos atributos do nosso povo, a espontaneidade e a alegria, sejam menos vistos no momento.

Mas como se por encanto as coisas começaram a mudar. Começamos a sentir e viver o clima do Pan. Essa energia mais do que positiva vindo de todos os lados e fazendo com que nosso povo lembrasse que somos um povo alegre, festivo e que menos que tudo a nossa volta pareça ruim sempre damos um jeito e revertemos o quadro de forma que isso não atrapalhe a nossa vida.

Que energia é essa? É a energia da comunhão de idéias, de sentimentos, a troca da desconfiança pela certeza de que o amanhã será melhor. Essa energia maravilhosa que só quem vive nessa cidade que foi abençoada de todas as formas pode sentir. Essa energia que sentimos quando estamos caminhando à beira da praia sentindo o gosto da maresia, a refrescante sensação de caminhar por entre os nossos jardins ou florestas ou a energia que vem desse povo que está sempre com um sorriso no rosto e disposto a dividir com quem aqui chega essa sensação maravilhosa de viver numa cidade que é uma verdadeira obra de arte de Deus.

Que possamos viver essa energia, não apenas nessas épocas de festas. Carnaval, reveillon ou agora o Pan-americano. Que tenhamos vontade para fazer com os outros dias do ano sejam tão belos como os dias de festa. Que essa troca deliciosa de energias positivas possa continuar ad infinitun.

Que não só a realização dos Jogos Pan americanos e a eleição do Cristo Redentor como uma das sete maravilhas do mundo moderno, sejam motivos de festa, mas o fato de sermos seres humanos, de termos um divino presente em nossas mãos que é a dádiva de viver nessa cidade tão bela. Que a cada dia quando acordarmos pela manhã possamos lembrar de agradecer pelo simples fato de estar vivo e viver esse dia como se fosse o último, tornando-o útil e dividindo com alguém essa dádiva. Que lembremos de dar bom dia para quem cruzar o nosso caminho, agradecer pelos favores que nos forem feitos, ser gentil com o um estranho, entre milhares de outras coisas que podemos fazer. Para que no fim do dia, quando deitarmos a cabeça no travesseiro possamos dizer: hoje eu vivi essa energia maravilhosa de fazer o outro um pouco mais feliz dividindo com ele a minha alegria de ser carioca e viver na Cidade Maravilhosa.

Que essa onda de boas vibrações e energias positivas que pousam agora sobre a nossa cidade possam servir de estímulo e alavanca para que comecemos a viver realmente com mais respeito e amor. Que vivamos essa energia!

Tonni Nascimento

terça-feira, 10 de julho de 2007

Eu sou o obstáculo

Certa vez um cão estava quase morto de sede, parada junto à água. Toda vez que ele olhava seu reflexo na água, ficava assustado e recuava, por que pensava ser outro cão. Finalmente, era tamanha a sua sede, que abandonou o medo e se atirou para dentro da água. Com isso o reflexo desapareceu. O cão descobriu que o obstáculo, que era ele próprio, a barreira entre ele e o que buscava, havia desaparecido.

Nós estamos parados no meio do nosso próprio caminho. E, a menos que compreendamos isso, nada será possível em direção ao nosso crescimento. Se a barreira fosse alguma outra pessoa, poderíamos nos desviar. Mas nós somos a barreira. Nós não podemos nos desviar. Quem vai desviar-se de quem? Nossa barreira somos nós e nos seguirá como uma sombra.

Esse é o ponto onde nós estamos; juntos da água, quase mortos de sede. Mas alguma coisa nos impede, porque nós não estamos saltando para dentro. Alguma coisa nos segura. O que é? É uma espécie de medo. Porque a margem é conhecida, é familiar e pular no rio é ir em direção ao desconhecido. O medo sempre diz: “agarre-se àquilo que é familiar, ao que é conhecido”.

E as nossas misérias, nossas tristezas, nossas depressões, nossas angústias, nossos complexos, nos são familiares, são habituais. Nós vivemos com eles por tanto tempo e nos agarramos a eles como se fosse um tesouro. Esse é o caso de todos nós. Ninguém nos está impedindo. Apenas o próprio reflexo entre nós e o nosso destino, entre nós como uma semente e nós como uma flor. Não há ninguém mais impiedoso, criando qualquer obstáculo. Portanto, não continuemos a jogar a responsabilidade nos outros. Essa é uma forma de nos consolar, deixemos de nos consolar, deixemos de ter autopiedade. Fiquemos atentos. Abramos os olhos. Vejamos o que está acontecendo com a nossa vida. Escolhamos certo e decidamos dar o salto.

Autor desconhecido