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domingo, 8 de julho de 2007

O Importante é o que Importa

(Ou “Uma Receita Simples a Quatro Mãos”)

Quando eu era mais jovem, eu sonhava com uma paixão de filme de cinema. Daquelas que me colocaria nas nuvens, me faria sentir borboletas no estômago e balançaria meu mundo de uma forma radical e irresistível. Eu queria um amor que fosse quente como um incêndio, consumindo a tudo e não deixando que nada ficasse em seu caminho. Queria que a mulher da minha vida vivesse por mim e que seu estilo se encaixasse como uma luva em meus gostos, desejos e manias. Ela seria uma fada, uma deusa, causando mudança completa na minha vida ao transformá-la num completo paraíso.

Bem, desde esses meus primeiros ensaios na vida amorosa eu percebi duas coisas.

A primeira é que ninguém recebia ou pagava contas de água, luz ou telefone e que os cartões de crédito não tinham limite nos romances que me inspiravam. Nenhuma mocinha era vista em cena, preocupada com o orçamento do mês. Nenhum mocinho parava para pensar antes de comprar os presentes mais caros para a sua amada.

A segunda coisa que percebi foi que menino que brinca com fogo, além de fazer xixi na cama, pode se queimar bastante. Agora, imagina um menino que brinque com o incêndio de uma paixão... Dói. E pra caramba.

Definitivamente “romance de cinema” e “paixão incendiária” são coisas que dificilmente funcionam na vida real. Acaba sendo como aquelas receitas elaboradas dos chefes de cozinha franceses: super elaboradas e obscenamente caras, mas em porções minúsculas que servem apenas para você sentir um gostinho e jamais matariam a fome de ninguém.

Só mesmo a experiência de alguns anos para ensinar que a chama de uma pequena vela ou tocha é suficiente para espantar a escuridão e que o calor humano de um abraço sincero mantém o frio distante. Quem precisa de um incêndio?

Só mesmo a experiência de alguns anos para ensinar que um romance de verdade é feito na simplicidade das pequenas coisas e que elas é que são o verdadeiro tempero de qualquer relação. Quem precisa de romance de cinema?

A beleza do amor está em fazer as contas juntos e explodir em felicidade ao descobrir que sobrou o suficiente para ir ao cinema e ainda comprar a pipoca. A felicidade está em descobrir que ela comprou atum, mesmo que ela não seja muito fã, só porque sabe que você gosta. A delícia da relação é ele levar um livro no seu trabalho, para te emprestar, só porque ouviu você comentando sobre ele.

Bilhetinhos apaixonados, beijos roubados, telefonemas no meio da tarde, piadas por mensagem de celular, atividades a quatro mãos, aceitação, carinho, paciência... Esse é o tempero de um amor de verdade. E é esse amor que agora, não tão jovem, eu tanto queria e que, graças a essa jóia rara que divide os domingos aqui comigo, eu tenho.

Sim, é o que temos. E não importa o quanto olhamos pra trás e dizemos: como fui louco de aceitar aquela situação em minha vida? Como pude ter um relacionamento como aquele? Simples, foi fruto de uma escolha e de uma necessidade. Escolha porque o livre-arbítrio está aí para todos e necessidade pois como poderemos distinguir o que realmente importa, daquilo que não, se não tivermos experiências? NÃO HÁ COMO.

Consideramos justas toda forma de amor, como canta Lulu. A paixão avassaladora que queima e deixa marcas profundas que demoram a cicatrizar, a amizade que quase virou namoro até que pudéssemos perceber que amigos são amigos, e beijo na boca é um negócio bem a parte disso (far far away), aquele outro desejo escondido que não foi revelado nem ao travesseiro e vivido apenas na imaginação...

No fim das contas, tudo que vivenciamos antes de chegar aqui nos fez melhores um para o outro. Erros para que não se repitam, acertos para dar o devido e merecido gostinho de vitória. E depois de tanta solidão, tantas escolhas, e caminhar contando passos com a solidão: um grande amor, aconchegante, morninho, cheio de cumplicidade e carinho. Não somos iguais, vejam bem. Eu amo dançar e ele joga RPG (!!!). E isso não é problema, são apenas novos mundos e experiências que podemos ofertar um ao outro.

E que possamos não esquecer, o importante é o que importa. Saber cozinhar também ajuda muito. Isso vale tanto para as moças, quanto para os rapazes.

Beijocas e muito amor a todos nós, sempre!

Clarissa e Marcos Bahia.

sábado, 7 de julho de 2007

Nossas paixões

Alguma vez já paramos para pensar como nós, os seres humanos, temos o "dom" de nos apaixonamos facilmente? Às vezes por coisas e causas realmente importantes, porém outras por razões que se pararmos para pensar nem nós mesmos entendemos o motivo de tanta paixão.

Vamos citar alguns exemplos, mas começando por um dos mais simples, contudo um dos que mais paixão agrega: o futebol. Quantos de nós somos apaixonados por futebol ou conhecemos alguém que seja? Não digo aquele simples torcedor que gosta de futebol, mas não está nem aí se o seu time venceu ou perdeu. Mas aqueles que são capazes de deixar de comparecer em compromissos para ver o seu time jogar. Quantos nós conhecemos que são capazes de chorar, brigar, passar por dificuldades financeiras para assistir aos jogos? Enfim cometer diversos desatinos por causa do seu time, cujo seus dirigentes ou jogadores por vezes não estão nem aí para o que os torcedores pensam ou sentem.

Também poderíamos citar outros exemplos além do futebol. Como alguns objetos (instrumentos musicais, livros, CD’s, DVD’s, etc). Quem de nós não tem aquela peça de vestuário que guarda como se fosse o tesouro mais raro do mundo? Ou aquele CD que você é capaz de comprar outro igual somente para não estragar o primeiro de tanto ouvir ou aquele instrumento musical (violão, flauta, saxofone, violino, etc.) que você não usa mais, porém não o vende, não doa e muito menos empresta? Será que alguma vez pensamos nisso, como nós somos apaixonados por essas coisas e ficamos tentando dissimular dizendo que tais objetos têm enormes valores sentimentais?

Agora uma das paixões que eu considero das mais interessantes é a paixão pelos amigos. Não aquela paixão carnal, de sentir desejo pelo amigo ou amiga, mas aquela de que você chega a sentir ciúmes, de querer que sua atenção seja totalmente para você. O amigo é meu e ele não pode ter nenhum outro amigo. E se ele ou ela arrumar um namorado a pessoa chega ao cúmulo de boicotar o namoro só para não perder a companhia do amigo, mesmo que ela esteja namorando. Eu posso namorar, o meu amigo não. Ele tem de estar cem por cento a minha disposição. Afinal de contas ele é meu amigo.

Alguns dirão que isso é caso de tratamento psicológico, psiquiátrico ou qualquer um que trabalhe com a psique humana. Outros que isso são coisas bobas, que com o passar do tempo irão se resolver. Eu digo que em certos casos é realmente necessário um tratamento terapêutico sim, mas somente se isso ou essas paixões começarem a interferir no dia-a-dia da criatura. E isso só quem está vivendo essas situações ou seus familiares podem dizer. De qualquer forma é interessante ficarmos atentos à forma com a qual estamos ligados às pessoas e as coisas do nosso cotidiano para percebemos se estamos começando a trilhar o caminho da paixão exagerada. Por que isso irá prejudicar a médio e longo prazo não só a vida da pessoa que está vivendo como também de todos aqueles que estão à sua volta e que realmente se importam com ela.

Tonni Nascimento

sexta-feira, 6 de julho de 2007

O segredo da Coca-Cola

E tudo, no início, era a escuridão. Deus, em seu momento máximo de inspiração, resolveu criar o mundo. Começando, logicamente, pela luz. Até porque era a luz que excitaria nossas retinas para que elas pudessem apreciar a criação do Criador. Bom, isso é o que diz o nosso registro escrito mais antigo: A bíblia. Mas quem pode assegurar-nos que Ele não tinha feito nenhuma outra coisa antes da luz? Estava tudo escuro! Eu não vi, nem ninguém viu nada! A bíblia só nos conta o depois da luz. E o antes? Esse antes fervilha a minha mente com milhões de teorias! O que será que Deus fazia no escuro? Por que medo Ele não tinha.

Uma das teorias que paira em minha mente é sobre o momento e o porquê das baratas. Sim, as baratas. Eu não vejo (e sei que você provavelmente concordará comigo) razão suficientemente convincente para a criação das baratas. E não me venha com aquela explicação científica sobre como o mundo seria sem as baratas. A resposta é bem clara: seria um mundo melhor. A criação das baratas e o porquê delas é tão obscuro que eu só posso dizer que elas foram feitas antes da luz, por isso saíram tão feias e nojentas. Deus não tava vendo nada mesmo!

Outra teoria maluca que não pára de assediar o meu cérebro é sobre a fórmula da coca-cola. Quem a inventou? Quando? Qual é o elemento secreto que está contido em sua composição misteriosa? Alguns "pesquisadores" registraram a primeira coca-cola no Antigo Egito. Provavelmente, Tutankamon foi o primeiro a experimentar e aprovar, mas a sua fórmula foi perdida nas areias do deserto... Alguns dizem que a fórmula da coca-cola foi trazida pelos extraterrestres. Lembram o caso da área 51? É, meus amigos, porque vocês acham que essa área é tão secreta? Acho que a fórmula está guardada lá. Enterrada, por segurança. Há quem diga que atrás das tábuas dos Dez Mandamentos, Deus deixou à Moisés, a fórmula da coca-cola. Mas era algo ultra-secreto, só para os iniciados.

Mas há outras teorias em circulação. A mais provável é a de que foi Deus, o próprio, que formulou a coca-cola. Com certeza, foi antes da luz. Isso para que ninguém soubesse da fórmula e Ele não precisasse dividir os direitos autorais. Um egoísta.

_______________________________ Eu

terça-feira, 3 de julho de 2007

Grão de vida

Recentemente, a über model Gisele Bündchen manifestou-se a favor do aborto afirmando que até os quatro meses de gravidez, o ser que já habita o ventre materno é como um grão e que cabe a mulher decidir o que seja melhor para ela.

Reli a matéria. Não poderia ser verdade!

Uma mulher viajada, rica, vivida deve ter freqüentado boas escolas! – pensei eu.

- Um grão?! Considerar um feto de quase 16 centímetros e de aproximadamente 120 gramas como um grão é subestimar a capacidade do fenomenal corpo feminino de gerar vida.

Por mais que se queira negar, há um coração que bate e é possível perceber o sangue correndo em suas veias, abaixo de uma pele fininha.

Há uma ânsia maravilhosa desse ser em surgir para a luz.

Nessa fase, o bebê já está desenvolvendo o paladar, iniciando o processo de identificação de sabores que o agradam.

- Grão?! Seria um pequeno grão de areia a que ela referia-se? Um grão sem vida? Ou seria uma semente em projeção?

Se comparado à semente a germinar, o bebê de fato é um grão, pequenino, aparentemente frágil, mas que desenvolve em sua essência os elementos primordiais para tornar-se o adulto forte de amanhã.

Até o quarto mês, seus cabelos, sobrancelhas e cílios estão começando a crescer. Ele já possui cordas vocais e até pode emitir sons.

Um grão com fígado? Com intestinos? Um grão com bexiga e pâncreas?

Ah, Gisele! Tão bela...

De fato, a mulher pode fazer o que quiser com o seu corpo. Isso mesmo: com o seu próprio corpo. E como mulher, defendo esse direito de utilizar o meu corpo como acho melhor! Nisso, pensamos de forma idêntica. Mas o filho gerado no ventre feminino é um outro corpo, com vida própria, embora dependente da mãe.

Abençoadas mulheres, futuras mães, que mesmo no terreno árido, sofrido, quando falta o dinheiro, falta o apoio, o emprego, um companheiro, assim mesmo, permitem o desenvolvimento desse grão.

Um dia, a imensa nogueira foi um grão.

Diversos frutos que saciam a fome de tantos tiveram suas origens no singelo grão.

Vânia Bündchen, a mãe que gerou a nossa mais famosa modelo, foi também grão.

Dessa forma, felizes as mulheres que abrigam o pequeno grão em seu ventre, permitindo que criem raízes próprias, individualidades que, assim como nós, querem a sua chance de poder caminhar por essa passarela maravilhosa chamada vida.

Alcione Koritzky

domingo, 1 de julho de 2007

Tempos Modernos

Quando eu era mais jovem, eu olhava para o futuro com olhos brilhantes cheios de maravilhamento. Sei que muito disso se deve à minha condição na época. Eu ainda era uma criança descobrindo o mundo e meus amigos mais próximos eram de famílias de condição financeira melhor que a minha, podendo então, comprar brinquedos mais caros e ter coisas em casa que variavam do luxo até o inatingível para mim. Fora isso, confesso que desde aquela idade a tecnologia (e a ficção científica) já prendia em muito a minha atenção. A série original de Jornada nas Estrelas me fascinava, os primeiros computadores pareciam coisas maravilhosas trazidas de outro mundo e a primeira vez que assisti Mestre Yoda tirar o cruzador estelar de Luke de dentro do Pântano, fiquei reprisando a cena na minha cabeça por horas.

Mas o tempo vai passando e nós vamos crescendo. Não há como fugir disso.

Foi em 92 que meu vocabulário mudou um pouco e meu futuro ficou abalado em suas bases. Nesse ano ECO deixou de ser apenas a reverberação do som para se tornar também uma reunião de pessoas que queriam salvar o mundo para que eu pudesse viver os sonhos que nutria na infância. Mas a situação estava feia. Buracos na camada de ozônio aqui (não dá para remendar?), superaquecimento ali (não dá para colocar um ventilador?), desmatamento acolá (eu sei plantar feijão no algodão, isso ajuda?)... Entretanto, mesmo com o nosso mundo agonizando em sua cama celestial de hospital, ainda havia uma luz de esperança na forma de guerreiros, paladinos da justiça que estavam dispostos a investir em pequenos barcos contra imensos barcos baleeiros para garantir que nosso planeta pudesse se recuperar. Aquela cena me tocou e acreditei que meu futuro seria salvo por aquelas pessoas que vestiam o verde da esperança e o branco da paz.

Passaram-se mais alguns anos nos quais o meu gosto pelas coisas tecnológicas apenas cresceu. Principalmente porque eu via essa tecnologia sendo cada vez mais usada no dia-a-dia para resolver as “doenças” do nosso planeta. Filtros em chaminés e veículos diminuíam a emissão de poluentes. Avanços tecnológicos permitiram que o CFC perdesse força em sua escavação na camada de ozônio. Até mesmo no reflorestamento eu descobri que aquelas invenções maravilhosas estavam ajudando, sem nem precisar doar o meu pé de feijão! Era o futuro que se descortinava na minha frente! Eu sabia que logo, logo a USS Enterprise apareceria numa matéria do Fantástico ou do Globo Repórter.

Mas não foi isso que vi.

O que eu descobri foi que a tecnologia estava matando tanto ou até mais do que curando e ajudando. Pessoas inventavam todo tipo de desculpa ao redor do mundo para pegar uma arma e matar quem estivesse por perto. Aos poucos fui descobrindo que nosso planeta, já tão carente de cuidados, estava sendo banhado no sangue de seus habitantes. E isso não era novidade! “Meu Deus,” me perguntei, “onde está o ‘viemos em paz’ ou o ‘não se entregue ao lado negro da força’?”

A resposta que tive foi gás mortal sendo liberado em metrôs, homens usando seus corpos como suporte para bombas e, mais recentemente, aviões cheios de passageiros sendo lançados contra prédios. Parecia que, como a Chalenger vários anos antes, meu futuro era um foguete que não chegaria a seu destino. Foi quando descobri que meu foguete talvez nem chegasse a decolar, pois um homem precisava do combustível para seus mísseis. Ele misturava vingança, liberdade, guerra, democracia, armas de destruição em massa e favores devidos à indústria bélica de seu país no mesmo discurso como se esses termos sempre tivessem sido irmãos. E, sob suas ordens, seres humanos de diferentes nacionalidades sangraram e morreram apenas para que nosso planeta derramasse um pouco mais de seu sangue negro na “direção correta”.

Lutar contra a força daquele homem era loucura, mas podíamos, ao menos, direcioná-la para coisas construtivas. Pelo menos foi isso que outros homens pensaram ao se reunir no Japão para assinar papéis que dariam mais chances para nosso planeta se recuperar dos danos causados a ele. O homem disse que não assinaria nada. “E ai de quem tentar me forçar!” foi o que ficou subentendido quando ele foi embora.

Essa semana, ouvi notícias de que o mar está subindo por conta do aquecimento global. Em cem anos o mar subirá mais um metro causando enchentes e alterações geo-climáticas até para aqueles que vivem longe do litoral. Esses mesmos cem anos são o tempo que levará para que o processo de desertificação do Brasil destrua todo o território do país. Então esse é o futuro que me espera? Entre o deserto escaldante a as águas assassinas?

Parei e pensei por muito tempo. Será que não aprendemos nada de 92 até hoje? Pensei mais e vi que a pergunta era mais profunda. Será que não aprendemos nada nesses 3,5 milhões de anos nos quais o homem vive na Terra? Acho que não. Ser humano significaria ser aquele por trás do taser, do sabre de luz ou dos canhões de plasma. Ser o usuário e não a ferramenta. Teríamos que pensar, ponderar, criticar e decidir com sabedoria antes de tomar ações.

Não é isso que fazemos.

No fim eu acho que somos como as máquinas que criamos, repetindo a mesma tarefa dia após dia, sem muita imaginação ou variação. Matamos uns aos outros porque é o que sempre fizemos. Continuamos destruindo o planeta porque é o que sempre fizemos. E responsabilizamos nossos “vizinhos” porque é o que sempre fizemos. E enquanto não assumirmos que a culpa é nossa e pararmos de perder tempos com brigas sem sentido e com tantas outras besteiras, enquanto não superarmos esse estado de “máquina de carne”, jamais chegaremos realmente ao futuro.

sábado, 30 de junho de 2007

Onde estão os limites?

Fomos, no final da semana passada, pegos com a notícia de mais um crime cometido por jovens da classe média alta da nossa sociedade. Dessa vez o crime aconteceu na Barra da Tijuca e, felizmente, uma testemunha anotou o número da placa do automóvel em que os jovens estavam e eles foram rapidamente encontrados e presos.

Não iremos aqui narrar esses fatos e muito menos contabilizá-los. Até porque todos somos conhecedores das atrocidades cometidas pelos “filhos da nata da nossa sociedade”. Entretanto é publico e notório que a nossa juventude tem demonstrado que alguma coisa está errada na sua formação, pois já está virando um fato rotineiro sermos assaltados pela imprensa policial com tais atos criminosos.

De quem será a culpa? Dos pais que educam(?) de forma totalmente livre? Da atual pedagogia de educação que acha que apenas são “travessuras“ tão comuns a essa faixa etária? Ou da sociedade como um todo que limita-se a pensar que enquanto não for com alguém próximo não lhe interessa?

Muitos podem achar que estou sendo pessimista ou duro em pôr a culpa em pessoas que estão livres dela. Afinal de contas o que a sociedade tem a ver com o fato de alguns pais não saberem criar e educar seus filhos de modo que estes venham a ser úteis à sociedade.

Um dos motivos que vemos para que esses crimes continuem acontecendo é a falta de diálogo nas famílias. Se formos analisar de onde esses jovens vêm, veremos que muitos foram criados sem que em suas famílias houvesse um mínimo de diálogo. Os pais, muita das vezes preocupados em dar bens materiais aos filhos, esquecem-se de passar-lhes conteúdos de ética e moralidade. Deixam que eles ajam ao seu bel prazer, sem impor-lhes limites, às vezes por medo das suas crias, posto que foram criados sem limites e agora não reconhecem nem mesmo a autoridade paterna.

Não iremos deixar toda a culpa desses crimes somente na conta dos pais, pois vemos muitos jovens com menos ou nenhum contato com seus pais crescerem e tornarem-se pessoas de boa índole, visto que parte dessa índole, boa ou má, é inata ao ser humano, bastando que ele seja instigado a exaltá-la. Para que a parte positiva suplante a negativa é necessário que ele, ainda na fase infantil, tenha exemplos positivos para que possa agregá-los aos seus valores pessoais. Valores esses que irão nortear suas decisões pelo resto das suas vidas. E nesses exemplos vamos colocar os pais, professores e pessoas próximas à família. Mas isso não exime de deixar claro que o exemplo maior tem de vir dos pais, que serão os primeiros “ídolos” e contato social desses jovens enquanto ainda estiverem na fase infantil.

Que esses crimes sirvam de exemplos para que prestemos mais atenção em como estamos criando nossos filhos, crianças ou jovens, visto que eles serão os homens e mulheres que irão dirigir o futuro da nossa sociedade. E como irão fazer isso de modo positivo se, quando mais jovens, não tiveram nenhuma noção de como ser cidadãos de bem? Como nossos filhos e netos poderão formar as futuras gerações? Que possamos como pais, educadores, parentes e amigos começar a impor limites às nossas crianças enquanto ainda temos tempo para fazê-lo. Pensemos nisso agora antes que isso deixe de ser, infelizmente, acontecimentos comuns e tornem-se normais.

Tonni Nascimento

quarta-feira, 27 de junho de 2007

Confissões aborrecentes!


Sempre acreditei que olhar oblíquo significava apenas que a pessoa em questão era só vesga... Por isso sempre me identifiquei com o adjetivo, pois, como vocês podem ver nesta imagem, eu sou vesga. Não há como contestar... Aí descobri que isso quer dizer muito mais que um atributo(se é que eu posso assim denominar) físico.

O olhar oblíquo é um olhar enviesado, misterioso, cheio de enigmas; e se tem uma coisa que meus olhos não têm é segredo... Aliás, quando o assunto é este, acredito que minhas retinas negras e obtusas acompanhem a minha boca que, de tão grande, entrega até os meus próprios segredos, porque eu sempre falo demais. Então, devo mesmo pensar só na vesguice, que é o atributo que melhor define a obliquidade do meu olhar...

Mas, por um momento fiquei pensando que esta particularidade (outro substantivo que pode ser impróprio) pode ser um dom.

Graças aos meus olhos tortos, vejo tudo torto: Um lado só das coisas, uma só visão parcial, sentimental, irracional... passional.

À primeira vista de meus olhos enviesados as coisas sempre vão dar certo: o telefone sempre vai tocar, eu sempre vou cortar o fio certo, as intenções são sempre boas e as pessoas sempre vão me entender... Só que isso nem sempre acontece... mas não faz mal por que, apesar de tudo isso, continuo estrábica e sempre vou ver as coisas do mesmo jeito... A obliquidade me permite desejar.... e, mais ainda, ter esperança, ainda que os desejos estejam longe da mão....

Se eu vou alcançá-los um dia? Quem vai saber... Mas uma coisa é certa: como eu sempre tenho a oblíqua certeza de que tudo sairá como eu vejo, eu estou sempre fazendo as coisas acontecerem ao meu redor... E ISSO FAZ QUALQUER UM CRESCER... ATÉ UMA PESSOA OBLÍQUA...

Marília Vieira